Ele se tornava um dos outros, nem sequer notava. Estava de joelhos, havia caminhado por dias sob agulhas. Buscava o rumo de casa, mas nem sequer lembrava-se de onde havia partido. Volta e meia perguntava se havia alguém além dele nessa mesma busca. Aprendeu a fazer mosaicos com os cacos que sobravam de si, aprendeu a enxergar de olhos fechados, aprendeu a relevar algumas falhas e a nunca perdoar determinados erros. Tudo o que queria era dar-se um sentido. Quando começou a gritar desesperadamente palavras que ninguém mais podia entender, chamaram a policia. Foi levado depois de derrubar três policias. Preso, dito louco, tido lixo. Dopado, amarrado e controlado, já não via mais o seres que ninguém mais via, já não ouvia mais as sirenes e alertas que ninguém mais ouvia. Foi impedido de salvar o mundo, simplesmente por estender seu mundo além de um mundo só.