para todos

| December 25th, 2009

Eu quero uma obra prima! Pra poder desfilar minha arrogância, pra poder ignorar os ignorantes e os incapazes. Eu quero uma obra prima. Caótica e anatômica, nuclear e dicotômica. Uma obra de choque, rancor, subversão e pena. Pena de tudo, pena de todos e pena de mim. Eu quero a melhor palavra solta escapando as minhas mãos, quero minha boca fechada e meus olhos perdidos enquanto se calam todos aqueles que nunca compreenderam a verdade que se vive.

Eu quero uma obra prima crucificada nas paginas dos jornais. Uma obra prima espalhada pelo lixo resultante de toda a existência humana. Uma obra prima capaz de suportar toda a densidade frágil e animalesca das coisas injustificáveis. Quero olhos, pernas, mãos e orelhas. Quero todas as sementes do mal que brota nos corações puros, quero toda a capacidade de perdoar e toda a vontade de explodir. Que quero o grito calado de mais um soco negado. Que quero a voz que me disse pra nunca querer ser o que o outro é. Eu quero a subversão da incompatibilidade de egos.

Quero algo tão feroz e profundo que seja vivo até que o tempo acabe. Até que o nada retorne e a que qualquer coisa se torne desnecessária. Eu quero o que me é desnecessário, o que é apenas um desejo incapaz de ser saciado, o que é impossível e inaceitável. Que quero a chance de atravessar e ver o que há por traz de todos os mistérios invisíveis. Quero uma obra prima que se uma a tudo e que se retraia junto ao que tocar a nada. Eu quero uma obra prima, quero um fim.

No Responses to “para todos”

  1. mirabel Says:

    Não há obra prima que não seja parente de uma obra inacabada, a sua se constrói aos poucos! Te cuida! Lê o meu recado de feliz natal lá no Otário depois!

    Abraço!

Leave a Reply