Archive for July, 2008

Te deixar acordar

Ou te sufocar novamente nessa angustia?

 

 

Saio de casa como se estivesse deixando uma ilha. Como se partisse sem volta, sem propósito e sem destino. Encaro mais uma manhã com os olhos cansados, sempre a apenas um passo do último suspiro. Até que você abre a gaiola e se deixa sair.

 

Tudo isso é tão sem sentido, e você sabe disso. Todas essas malditas coordenadas que devem ser seguidas. Toda a essa manipulação das suas vontades. Tudo isso pra que?

Por um país melhor? Eu to de saco cheio dessa palhaçada!

 

O céu é sempre tão bonito de manhã. Não sei por que é que as pessoas fogem do sol. Por que elas preferem se sentar na sombra? Elas não fazem fotossíntese?

 

Eu vi seus olhos aquela noite Maria. Foi a dois dias, mas eu não vou me esquecer tão cedo. Passou por mim como se soubesse o que eu iria me tornar, como se soubesse que eu quase não me importei com a sua condição. Eu sei que essa pode não ter sido a primeira vez que você reparou o que eu queria dizer. Eu já vi você dormir na rua. Eu já vi você. Eu estava cego, mas você sabia que aquilo era realmente eu. Você sabia de uma forma que eu só sei agora. Você sabia Maria. E agora o mundo inteiro sabe.

 

O pássaro branco me fez ver o quanto nada é mais surpreendente do que não se surpreender. Deixar o mundo saber que você vive, sem que o mundo viva em você. Meu egoísmo é um absurdo, um absurdo absoluto.

 

“Atitudes extremas se justificam nesses casos.” Foi isso que ele me disse, depois me informou que era de 24. 82 é bastante chão. Me falou sobre Getulio, e terminou o papo com o atraso do ônibus. Eu larguei meus fones pra escutar. Veio me falar sobre drogas, certamente me julgou pela aparência. Não era da velha guarda como eu havia pensando, se mudou pras redondezas já depois de velho. Não sabe o que é que essa terra quer dizer, não sabe quanto do meu suor do meu sangue e das minhas alegrias eu deixei aqui. 22 é tudo o que eu tenho. E deixei tudo aqui, nesse chão.

 

Eu sei que um dia eu não vou segurar. Sei que um dia isso vai explodir. Só não sei se você é capaz de cumprir todos os meus medos, de quebrar todas essas barreiras, de ser assim, tão extremo. Tenho medo de ver o dono do jogo, e de ele ser mesmo assim tudo o que andam dizendo. Tenho medo de abrir essa gaiola pra você sair. 

Quem foi que me deixou aqui? Quem foi que me jogou fora? A última coisa que me lembro agora…

| July 26th, 2008

 

 

Existe em mim algo tão meu que eu nem sei o que é

Eu não quero deixar aqui

Algo tão letal que é capaz de todos os dias me manter de pé

Eu não quero perder a minha fome

Nem desfazer das minhas fraquezas

Nos seus olhos

Nos seus olhos

Nos seus olhos

 

Meu peito para

Congelado no vazio do meu sangue frio

Nas lembranças apagadas

As oportunidades perdidas

As certezas inválidas

Meu cavalo queimou

Meu cavalo queimou

Meu cavalo queimou

 

Talvez essa noite eu feche meus olhos

Tentando encontrar o que restou de você em mim

Talvez eu te encontre nos meus pés descalços

Tentando encontrar o que restou de você em mim

Tentando não deixar brotar mais uma vez aquela dor

Tentando suportar mais uma vez o meu sorriso

Tapando meus ouvidos pra tentar ouvir aquela canção

 

Algo tão meu

Algo tão meu

Que eu não sei o que é!

 A única maneira de me destruir

A única maneira de me reiniciar

Algo tão meu

 

Foram tantos os dias em que eu tentei encontrar

Foram tantas as formas que eu tentei pra buscar

Mas a certeza nunca foi maior que a tristeza

E a realidade era uma questão de momento

Uma questão de dar razão a um sentimento

Uma questão de não querer

Era entender que tudo e eu

Somos coisas bem diferentes

Quem sabe?

No mesmo lugar onde deveria estar ficará

Nos seus olhos

Meu cavalo pegou fogo

Algo tão meu

Tentando encontrar em você o que restou de mim

 

Dia após dia

Querendo dar a tudo um significado

Querendo usar as assas como justificativa

Escorrendo no sangue que caia da minha boca

Você nunca vai saber

Você nunca vai beber de mim

Você nunca sabe

Ninguém pode dizer até provar

Até se embriagar nesse veneno

Até que venda a alma

Até que dê a vida

A fé que da a alma

A fé que vende a vida

Algo tão meu

Que eu procuro entregar no fogo dos meus olhos

Que eu deixo escorrer no sangue da minha boca

A tudo um significado

Uma justificativa para levantar vôo

A razão de um sentimento

Em uma única coisa

Algo tão meu…

| July 23rd, 2008

apenas mais um dos sonhos


entre os muitos que já quebraram


entre os espaços que ficaram em branco


entre as horas que não passaram


reconhecer-se pequeno em toda a sua grandeza


enxergar-se incapaz de todas as suas aspirações


perceber que desistir é um erro que não se justifica


cansar sem se esforçar


ver-se enganado pelo que tanto combate


apenas mais um sonho


de um dia ser um pouco menos imperfeito


de um dia ser um pouco mais que um desejo


entre tudo o que foi e o que deve ser


existe o que é



Quem é que somos nós

| July 16th, 2008

Quem é que somos nós? Que aqui agora no conforto do nosso lar ou em nosso trabalho lemos essas palavras.
Enquanto tantos não tem casa, enqaunto tantos não tem trabalho, enquanto tantos não sabem ler!
Nós que criticamos a hipocrisia de maneira tão hipocrita. Que esquecemos que apenas falar não muda o mundo.
Nós que não sabemos agir, que corremos do esforço de aprender, nós com nossa genialidade amarrada e nossa consciência inconsciente! Inconsequentes! Nós que não lutamos, nós que não passamos fome, nós que criticamos tanto o sistema, mas que vivemos intensamente cada segundo que o dinheiro pode pagar! Enquanto tantos, enquanto humanos, enquanto vivos e seus filhos matam! Matam por nossa culpa, matam por que desejam ser o que nos temos, sem ter quem nos somos. Enquanto isso as ruas fervem, meninos perdem suas chances, entre cola, pó e baseados. E nós achamos lindo curtir uma ondinha de vez em quando! Que geração alienada é essa que nos tornamos! O maior exemplo disso é o meu espelho. O maior exemplo dessa alienação é o meu desdém, minha irresponsabilidade, minha falsa maturidade, meu ego inflacionado! Escrevo tudo isso sem direito nenhum de dizer nada. Não posso julgar nenhum de vocês, não posso cobrar nada de ninguém. Até que ponto uma pessoa consegue viver assim? Por que é que nós conseguimos viver assim? Ignorantes! Mais do que os moradores das favelas, mais que os analfabetos do sertão! Ignorantes por opção! Esses somos nós.

vem de fora volta pra fora

| July 8th, 2008

tudo o que eu não tinha pra escrever da última vez eu tenho agora. nada como dias infernais pra despertarem minha vontade de gritar. gritar em silêncio, gritar sem ação. escrever é converter um pouco disso em um pouco de paixão. eu sei que não sou tão bom quanto queria ser e que não mereço tudo o que tenho, e sei o quanto esse tudo é muito. graças a esse tudo eu consigo suportar esse quase nada que quase me tira a cabeça. nesses momentos eu chego a pensar em criar novas fontes pra escapar, fontes mais intensas do que essa minha terapia de papel, que a muito já se tornou terapia de monitor. algo que envolva um pouco mais de violência e irracionalidade, algo menos estudado e contido, algo que cause um pouco mais de sensação, um pouco mais de sentimento, algo mais vivo. ao mesmo tempo as coisas que me mantém de pé me mantém parado, é estranho quando a gente alcança esse tipo de conclussão e percebe a dependência em que vivemos, não ser dono do proprio nariz é um problema. depender é cansativo, é repreensivo, é a salvação pra que eu possa viver como vivo. sem seus braços eu não poderia pensar em fazer o que quero fazer, pois sem seus braços eu teria que me matar para sobreviver. não era pra ser assim, não era esse o caminho que eu esperava que essas palavras iam tomar, a grande questão é pensar em por que? hoje eu vi que ainda tenho que ver muito pra poder achar alguma coisa, pra poder querer alguma coisa. é só mais um desabafo sem sentido, são só mais algumas palavras pra desafogar o peito e a mente, é só mais uma forma de tentar lavar a alma.

asfaltamento

| July 7th, 2008

em meio aos gritos
ninguém queria explicar
em meio ao sangue
ninguém queria entender
como se fosse justo
cada um com sua vida
como se fosse certo
cada um com seus problemas
bandeiras, gravatas e cimento

em meio aos carros
ninguém pensou em parar
em meio ao caos
ninguém pensou em correr
como se fosse simples
cada um com seu ideal
como se fosse honesto
cada um com seu preço
cervejas, cigarros e sentimento


 

em meio aos gritos
em meio ao sangue
ninguém queria explicar
ninguém queria entender
como se fosse justo
como se fosse certo
cada um com sua vida
cada um com seus problemas
bandeiras, gravatas e sentimento

em meio aos carros
em meio ao caos
ninguém pensou em parar
ninguém pensou em correr
como se fosse simples
como se fosse honesto
cada um com seu ideal
cada um com seu preço
cervejas, cigarros e cimento

em meio aos gritos
em meio ao sangue
em meio aos carros
em meio ao caos
ninguém queria explicar
ninguém queria entender
ninguém pensou em parar
ninguém pensou em correr
como se fosse justo
como se fosse certo
como se fosse simples
como se fosse honesto
cada um com sua vida
cada um com seus problemas
cada um com seu ideal
cada um com seu preço
bandeiras, gravatas e cimento
cervejas, cigarros e sentimento